Feira só não cresce mais por falta de espaço no Anhembi. A mudança deve acontecer com a ampliação do Centro de Exposições, que já está em fase de projeto
A partir do próximo dia 10 de abril, o Centro de Exposições do Anhembi é palco de mais uma edição da Automec – Feira Internacional de Autopeças, Equipamentos e Serviços – que começou na década de 60, dentro do Salão do Automóvel, e ganhou vida própria passando a ser um evento à parte desde 1993.
Na edição de 2005, a Automec contou com a participação de mais de 1.130 expositores nacionais e estrangeiros, e com a presença de mais de 80 mil visitantes, um número 20% superior à edição de 2003.
Para este ano, as previsões são otimistas, tanto em termos de negócios, como também de aumento de público. O único empecilho para os resultados serem ainda mais positivos é a falta de espaço para abrigar mais expositores, como conta nessa entrevista Evaristo Nascimento, diretor de feiras da Alcântara Machado.
BA Desde 1993, a Automec é uma feira independente. Por que ela se separou do Salão do Automóvel?
Nascimento: O principal motivo foi por elas terem objetivos diferentes. Enquanto que o Salão do Automóvel tem grande visitação do público consumidor final, aficionado por carros, o público da Automec é voltado para negócios. São distribuidores, lojistas, mecânicos e estrangeiros com interesses comerciais.
BA: Por ser uma feira de negócios essa é uma das principais razões da mudança de horário nessa edição?
Nascimento: Sim, realizamos uma pesquisa junto aos expositores e eles responderam que preferiam que a feira fosse realizada entre às 10h e 19h, ao invés das 13h às 21h, por se tratar de um intervalo de horário com aspecto mais comercial. Inclusive, aqui no Brasil, só não temos feiras das 9h às 18h,
devido ao trânsito caótico. Imagine, por exemplo, o tempo que alguém que mora no ABC tem de gastar no trajeto do trabalho até o Anhembi, enfrentando
todo o trânsito matinal.
BA: Sem dúvida, esse é um dos principais problemas da cidade.
Nascimento: É muito diferente de outros países em que há metrô bem próximo aos pavilhões de exposições. O que não acontece aqui. Por isso, existe toda uma infra-estrutura de transporte disponível do metrô até o Anhembi, tanto para quem trabalha como para quem visita a feira. Para se ter uma idéia, cerca de 30 mil pessoas utilizam esse meio de locomoção.
BA: Para esta edição qual é a previsão de crescimento da Automec?
Nascimento: A expectativa de público é de cerca de 95 mil visitantes, sendo 92 mil nacionais e 3 mil estrangeiros. Quanto ao número de expositores, a média (1.130 em 2005) se manterá, pois não há mais espaço para novos expositores.
BA: Há uma estimativa de quantos expositores deixam de participar por causa desse problema?
Nascimento: Recebemos muitas consultas de interessados em participar da feira. Posso afirmar que cerca de 50 expositores não participam por falta de espaço.
BA: E como são definidos os espaços de cada expositor?
Nascimento: Como não há como expandir, os expositores tradicionais acabam ocupando os mesmos espaços das edições anteriores, alguns pedem uma metragem maior, mas não há como ceder. Há expositores, por exemplo, que tem 300 m2 e continuam com este espaço em todas as edições. A estabilização da metragem por expositor tradicional começou na edição de 1999.
BA: E fora do pavilhão também foi criada uma tenda, em 1995, para novos expositores. Essa foi a maneira de ampliar na época?
Nascimento: Essa tenda, que tinha 4 mil m2, foi transferida para o pavilhão Oeste, com 5,5 mil m2, na edição de 2005. Agora não há mais para onde expandir. Estamos na espera da ampliação do Anhembi, que está em fase de projeto.
BA: E já há uma expectativa de quantos novos expositores poderiam participar da Automec com essa expansão?
Nascimento: Ainda é muito cedo para dizer. Mesmo porque a ampliação do Anhembi requer muita discussão de logística (estacionamento, acesso, etc.). Não basta apenas pegar uma área e construir. Só quando estiver pronto, com a área definida, é que saberemos.
BA: Quanto aos expositores asiáticos, há um espaço dedicado a eles?
Nascimento: Os chineses, por exemplo, têm um espaço de 500 m2, desde a edição de 2003. Mas isso não significa que foram feitas restrições aos nacionais. Pelo contrário, esses já têm seus espaços. De maneira alguma tiramos expositores tradicionais para dar lugar aos estrangeiros. Tanto que a feira tem muito mais expositores nacionais do que estrangeiros (em 2005, eram 662 empresas nacionais e 468 estrangeiras de 27 países, participando da Automec). A questão mais importante é mesmo a falta de espaço.
BA: Em termos de estrutura, o que é oferecido aos visitantes e expositores?
Nascimento: A Automec, assim como qualquer outra feira que é realizada no Anhembi, tem toda uma infra-estrutura com restaurantes, lanchonetes, sistema de telefonia e estacionamento. O ideal mesmo seria se houvesse, como em alguns países da Europa, metrô com acesso direto ao Anhembi.
BA: E quais são as novidades para esta edição?
Nascimento: A principal é a mudança de horário. Fora isso, o número de expositores se manterá praticamente o mesmo de 2005, mas deveremos ter, como na edição anterior, aumento do número de visitantes e de novos negócios aos expositores, incluindo exportações. Aos visitantes, além da mudança de horário, a novidade fica por conta dos expositores, e suas novas linhas de produtos, que incluem acessórios, máquinas, equipamentos e serviços para o setor automotivo.
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