Seu veiculo em boas mãos

Crescimento sustentado

09-01-2009 00:51

Na categoria Entrevistas


 
 



O setor de produção e vendas de veículos automotores cresce mês a mês,o que beneficia a indústria nacional de autopeças. Este ano oSindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes paraVeículos Automotores) prevê faturamento de US$ 32,2 bilhões. Caso sejaalcançado, o resultado representará crescimento de 8,1% em relação a2006, quando a indústria de componentes para veículos somou faturamentode US$ 29,8 bilhões. Números positivos que deixam Paulo Butori,presidente da entidade, animado e com esperança de que o País esteja nocaminho certo. O executivo falou sobre esse e outros assuntos nestaentrevista exclusiva cedida ao Jornal Balcão Automotivo.

BA:Comparados com o evento de 2005, os resultados da Automec 2007 forampositivos? Em quanto cresceu o número de expositores e negócios?
Paulo Butori:
A Automec deste ano foi excelente. A quantidade de público comprovanosso otimismo. O número de expositores não cresce porque o espaçofísico é limitado. Os números levantados pela Alcântara Machadomostraram 1.350 expositores, dos quais 950 eram nacionais e 400internacionais, representando 30 países. A feira foi visitada por 96mil pessoas de 75 nacionalidades.

BAA indústria automobilística vive seu melhor momento dos últimos 10anos. Mas há uma preocupação com a capacidade produtiva dosfornecedores, por isso, já se fala em atraso na entrega de peças eprodutos. Os investimentos em produtividade acompanham o crescimento daindústria?
Butori:Estamos preparados para acompanhar as montadoras até 3 milhões deveículos produzidos por ano. Os investimentos necessários para isso sãoda ordem de R$ 1,5 bilhão a R$ 2,4 bilhões em 15 meses.

BA O Sindipeças tem um projeto para renovação da frota. O atual governo está disposto a colaborar para o sucesso desta medida?
Butori:Já apresentamos nosso projeto ao presidente da República e a doisministros – Dilma Rousseff e Miguel Jorge. Todos se mostraraminteressados. Vamos ver o que acontece daqui para frente. Nem sempre avelocidade do governo é a que move a iniciativa privada. Vamos aguardare nos colocar à disposição para esclarecer o que for necessário. Porenquanto, prefiro não dar detalhes da nossa proposta.

BANo início do ano, o Presidente Lula anunciou o PAC (Plano de Aceleraçãodo Crescimento). Como o Sindipeças recebeu esta medida?
Butori: Toda iniciativa que objetive dar fôlego à nossa economia é bem-vinda. OPAC nos assegura a infra-estrutura necessária ao crescimento do País enos dá segurança para novos investimentos.

BAExiste a expectativa para a aprovação da lei que regulamenta a inspeçãoveicular obrigatória. Qual a posição do Sindipeças nesta questão?
Butori:O Sindipeças sempre apoiou a inspeção veicular obrigatória. Ela é aúnica maneira de melhorar as condições de nossa frota circulante. Comela, melhoraremos o trânsito, a segurança e o meio ambiente, e ogoverno deixará de gastar bilhões de reais com a invalidez provocadapelos acidentes. Além disso, o motorista terá preservado o valor de suapropriedade. Carro bem cuidado vale mais na hora da revenda.

BAEmpresas chinesas caminham a passos largos para fornecimento deprodutos a outros países. Como o Sindipeças vê este concorrente, equais as conseqüências para a nossa produção e exportação?
Butori:Nossa preocupação é a importação ilegal da China. As importaçõeslegais, sem dumping e com recolhimento dos impostos devidos, vindas daChina ou de qualquer outro país, fazem parte da concorrência mundial daqual nós também participamos. Hoje, temos a preocupação de estar comnossa moeda muito valorizada e com alíquotas de importação reduzidas, oque nos torna bastante vulneráveis. E temos trabalhado muito paraconscientizar nossos interlocutores no governo a respeito do assunto.

BAExportações geram divisas. Atualmente existe preocupação por parte dasempresas, pois a taxa de câmbio está baixa. Isto é um problema para odesenvolvimento da nossa indústria?
Butori:Com a valorização do real perdemos competitividade nas exportações.Como não podemos interromper nossos embarques, sob risco de perderespaços duramente conquistados no mercado externo, continuamosexportando, mas com grandes perdas financeiras.

BA Qual a fórmula certa para equilibrar mercado interno e externo com lucros e boa produtividade?
Butori:Temos preocupação, hoje, com as exportações, como já expliquei emrespostas anteriores, pois com elas, há algum tempo, podíamos compensara baixa rentabilidade no fornecimento às montadoras. Mas os volumes têmajudado.

BAO recente assédio pela tecnologia Flex Fuel por parte dos EstadosUnidos projeta futuro promissor para nossas empresas? Qual a estimativade negócios a serem realizados nesta área?
Butori:Ainda não é possível fazer essa estimativa. Vamos ver que acordos ogoverno consegue fechar, com quem e em que situação, para que possamosfazer melhor essa avaliação.

BAE o consumidor brasileiro corre o risco de ver o mercado internodesabastecido como já aconteceu em outros tempos com o álcool, porqueos usineiros exportavam açúcar que era mais lucrativo e não produziam ocombustível?
Butori:Não, hoje os tempos são outros e há segurança para nossos usuáriosdevido não só à segurança no abastecimento com álcool como na opçãopossível pela gasolina, caso seja economicamente mais viável.

BAPara finalizar, o Brasil está no caminho certo? Em breve teremos ochamado crescimento sustentável, sem a preocupação de que a bolha deconsumo estoure?
Butori:No geral, acredito que sim. Algumas correções ainda são necessárias,mas precisam de fato ocorrer. Acredito que algumas já deveriam terocorrido, pois o timing é muito importante para que os investimentossejam realizados e, em alguns casos, não sejam desviados para outrospaíses, onde o investidor sinta-se mais seguro quanto ao retorno.

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Jefferson.Vieira.Junior@Gmail.com